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«David Foster Wallace (n. 1962), professor, ensaísta e um dos mais promissores escritores da sua geração, enforcou-se quando tinha 46 anos. Antes de sucumbir perante sucessivas espirais depressivas, o autor legou aos leitores a sua «magnus opus»: uma vertiginosa montanha-russa intitulada A Piada Infinita («Infinite Jest»), obra composta por 1198 páginas na edição da Quetzal, uma exuberante viagem dentro da labiríntica e conturbada mente do seu autor.»

Aqui.

 

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publicado às 16:33


3º no top de livros do ano do Ípsilon

por Quetzal, em 28.12.12

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publicado às 11:29


Na Visão

por Quetzal, em 19.12.12

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publicado às 15:15


Foster Wallace e...

por Quetzal, em 07.12.12

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publicado às 13:17


Certificado de Reabilitação

por Quetzal, em 03.12.12

“Emergindo dos escombros de uma tradição literária desconfiada de dogmas e de ficções com ‘mensagem’, A Piada Infinita atreve-se não só a transportar dogmaticamente uma mensagem, mas também a oferecer uma alternativa terapêutica e uma hipótese de salvação. A sua descomunal ambição é submeter o leitor ao mesmo processo de reabilitação dos personagens: levá-lo, metaforicamente, a ‘bater no fundo’ dos seus pressupostos sobre o que uma obra literária deve fazer e oferecer; substituir os seus rituais por outros; reconstruí-lo do zero – enquanto leitor e, suspeita-se, enquanto pessoa.

 

Quer a ouçamos ou não até ao fim, essa é uma promessa que A Piada Infinita cumpre: mostrar-nos os nossos limites.”

 

Rogério Casanova, Ler

 

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publicado às 17:45


Na Fnac do Colombo

por Quetzal, em 26.11.12

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publicado às 15:33


Um livro marcante

por Quetzal, em 26.11.12

"Em 2009, a Quetzal editou «2666», de Roberto Bolaño. Para muitos, um verdadeiro risco em termos editoriais, já que a obra tinha mais de 1000 páginas e o chileno era pouco conhecido em termos literários no nosso país. No entanto, a aposta foi bem-sucedida e a editora criou a denominada «Bolañomania» em Portugal, um «movimento» que aconteceu aliás um pouco por todo o Mundo. Em 2012 a editora corre um novo risco com outra obra com mais de 1000 páginas, considerada já pelos críticos como o lançamento do ano em Portugal, concretamente «A Piada Infinita», de David Foster Wallace, que, pela primeira vez, é traduzida para português. Agora é esperar para ver a reacção do leitor nacional perante um livro de culto no estramgeiro. O dever da editora está feito, o do leitor logo se vê…

Editar um livro com mais de 1000 páginas é sempre um desafio e Lúcia Pinho de Melo não esconde isso, revelando que a edição de «A Piada Infinita» foi «um acto de coragem e fé». Mas, sem falsas modéstias, a editora da Quetzal considera também que a publicação da obra de David Foster Wallace no nosso mercado «é o acontecimento do ano na ficção», ou seja, uma obra que deve ser descoberta pelo leitor português, para o bem ou para o mal, pois há opiniões divergentes sobre a genialidade de Foster Wallace, que suicidou-se em 2008, 12 anos depois do lançamento de «Infinite Jest», três anos depois de a revista Time incluí-lo na lista dos 100 melhores romances de língua inglesa desde 1923."

 

 

Aqui

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publicado às 12:37


A Piada Infinita na blogosfera

por Quetzal, em 22.11.12

Vamos aproveitar este blog para dar conta de algumas reações na blogosfera à publicação do livro de Foster Wallace. E há muita coisa. Desde o leitor que já comprou o livro:

 

http://panorama-c.blogspot.pt/2012/11/ja-mora-na-estante.html

 

ao leitor que aguarda que o livro lhe chegue às mãos:

 

http://fragmagens.wordpress.com/2012/11/19/resistir-a-leitura/

 

ao leitor que "esbarra" em informação e de que transcrevemos aqui uma parte do post:

 

http://tabernaventura.blogspot.pt/2012/11/percepcoes-e-realidade.html

 

“Vem esta entrada - provavelmente despropositada e incrivelmente falível ou falhada - a propósito da forma como tenho esbarrado, quase literalmente, em tudo o que é informação, em tudo o que são críticas e opiniões sobre o lançamento, em português do livro de David Foster Wallace, "A Piada Infinita", quer através de vários jornais que me chegaram por puro acaso e que não costumo comprar, quer seja por ter ido parar, de forma totalmente casuística e até arbitrária, a alguns blogs e sites.

Ainda para mais não há uma única opinião que tenha lido que não considere o autor e o livro geniais. Embora, em alguns casos, haja a assumpção e a honestidade de assumir que não terminaram o livro. O que não invalida que a percepção da genialidade esteja formada.

Desde sexta-feira que consumo informação sobre este tema. E a percepção que tenho é que a realidade atribuiu uma relevância enorme a este feito. Pergunto-me, nesta altura (uma das tais): 

terá sido esta a realidade ou simplesmente mais não foi que a minha percepção?”

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publicado às 16:43


A Piada Infinita na revista Time Out

por Quetzal, em 22.11.12

 

Vasco Telles de Menezes está habituado a ver os livros como material de trabalho mas daí a cortá-los ao meio para fazer melhor o seu ofício vai uma grande distância. Ou ia, porque foi isso mesmo que aconteceu com A Piada Infinita: “pela primeira vez cortei um livro para poder manuseá-lo melhor”, conta o tradutor de 34 anos, que pela primeira vez também teve de arranjar uma espécie de cavalete para pousar o exemplar original e garantir que, lado a lado com o ecrã do computador, não saltava nenhuma das muitas linhas escritas em letra minúscula. “Sempre que saía para trabalhar lá ia eu com o cavalete e o livro desconjuntado na mala de pôr a tiracolo.”

 

Durante seis meses, Vasco e o pai, o também tradutor Salvato Telles de Menezes, de 63 anos, não fizeram mais nada senão olhar para aquilo que muitos apontam como a grande obra-prima do norte-americano David Foster Wallace (1962-2008), uma comédia colossal passada num futuro próximo e que é ao mesmo tempo uma sátira ao mundo da publicidade e do entretenimento, um livro sobre as relações humanas e a felicidade ou ainda um tratado sobre a solidão contemporânea (entre tantas outras coisas). Vasco ficou com uma metade das 1200 páginas, o pai com a outra, um a trabalhar em Lisboa e o outro em Cascais – cinco páginas nos dias bons –, ambos a aproveitarem a proximidade familiar para as muitas reuniões que foram necessárias para que no fim não se notasse que o livro tinha sido vertido para português a quatro mãos. No fim, ambos afirmam sem rodeios: foi o livro mais difícil que já traduziram.

 

“É um livro gongórico, colossal”, diz Salvato Telles de Menezes, que não chegou a cortar o seu exemplar mas teve de trabalhar sempre com uma régua lupa. “Está cheio de referências, alusões, influências extraordinárias que o Foster Wallace organiza magistralmente, numa espécie de caos controlado. Na minha opinião”, continua o tradutor, que durante muitos anos foi professor de literatura norte- -americana, “não acho que o modelo de construção narrativa do livro seja o Ulisses, como já se tem dito. As referências estão lá, mas o verdadeiro modelo é o Moby Dick, que por alguma coisa se chamou de chowder, caldeirada”.

 

Nessa caldeirada não contam apenas as muitas linhas narrativas que se cruzam a dada altura em A Piada Infinita – e que pedem a paciência do leitor – mas também várias características que são verdadeiras dores de cabeça para um tradutor. “É um livro sobre a língua e para além de ter imensas personagens, cada uma tem a sua forma específica de falar”, diz Vasco. “Ele leva o inglês a um patamar superior.” Para além disso há muito calão, muitas siglas, “frases intercaladas que se prolongam por duas ou três páginas, estrangeirismos às vezes propositadamente mal escritos, jogos fonéticos e até neologismos que não estão identificados por itálicos ou qualquer coisa do género”. Como se não bastasse, acrescenta Vasco, “há ainda uma profusão de referências literárias, de baixa e alta cultura, e muitas referências cinéfilas. Dá a ideia de que ele leu tudo e verteu tudo para este romance-súmula”.

 

Algumas referências os tradutores identificaram – “as que nos pareciam menos óbvias ou mais ligadas à própria cultura americana”, diz Salvato –, outras não, até porque já havia 388 notas de rodapé. Sim, 388, e não umas notas de rodapé quaisquer. “Algumas são reparos, e até bastante jocosos, outras são mesmo a continuação da história e estão cheias de diálogos”, explica Vasco. “Aliás, costuma-se dizer que normalmente um tradutor fica contente quando há diálogos ou notas porque isso significa que se pode descansar um bocadinho, mas aqui nem isso acontecia.”

 

É descansar agora que o livro chega às livrarias, mesmo a tempo de assinalar os 25 anos da editora que o resolveu pôr cá fora.

 

Aqui.

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publicado às 15:20


Cinco estrelas para Foster Wallace

por Quetzal, em 22.11.12

 

A recensão completa ao livro A Piada Infinita, publicada na última edição do Ípsilon. A autora, Isabel Lucas, deu cinco estrelas ao romance colossal de David Foster Wallace (os destaques são nossos):

 

"Agora apetece o silêncio. Assim, a quente, não há palavra escrita que não pareça histriónica, redundante, medíocre. A Piada Infinita, no seu efeito imediato, fechada a última página, cala. A sensação de ferida aberta que perpassa todo o livro persiste. Em inglês a palavra é woundedness. Mais do que mágoa. Magoa. Na relação entre livro e leitor, cada nervo foi tocado e agora não resta nada a não ser o vazio do luto e uma experiência que mudou coisas. Leitor, está disposto a esta viagem de 1198 páginas?

Já avisámos: escrevemos a quente sobre um livro originalmente publicado em 1996, considerado umas das obras mais marcantes da literatura contemporânea norte-americana, escrito por um dos seus mais intrigantes e geniais autores, alguém que não suportou andar sempre à procura da resposta para a pergunta "o que é isto de ser humano?", e que aos 46 anos acabou com a vida, deixando ao lado um romance inédito, The Pale King, publicado no ano passado nos EUA, onde acabaria por vencer o Pulitzer.

A expectativa era alta. A leitora começara pelo fim, ou seja, pela obra publicada postumamente, e ia agora entrar em David Foster Wallace pela primeira vez em português, e logo com aquela que é considerada a sua peça de génio, "a" obra - A Piada Infinita, tradução do original The Infinite Jest, retirado de uma das falas do quinto acto de Hamlet: "I knew him, Horatio; a fellow of infinite jest, of most excellent fancy." Uma infindável paródia, alucinantemente incómoda e provocadora, sobre a sociedade norte-americana, situada num futuro não muito distante do momento em que Wallace a escrevera, aos 33 anos, após sete anos de uma travessia no deserto, com depressões, internamentos, excessos de droga, álcool, auto-medicação, incapacidade de lidar com muitas das responsabilidades pedidas a um adulto. David Foster Wallace refugiara-se, tanto quando pudera, no ensaio e na cátedra, mas eram insuficientes para quem queria inventar uma nova maneira de fazer literatura. Nada menos. 

Nessa realidade paralela ou virtual, A Piada Infinita começa pouco depois do assassínio do presidente Limbaugh. Os EUA fazem parte de uma confederação maior, a ONAN, com o Canadá e o México; parte da Nova Inglaterra é refúgio de um grupo de separatistas do Quebeque. É neste ambiente que encontramos Harold Incandenza, 18 anos, interno desde os sete na Academia de Ténis Enfield, em Massachussets - um sobredotado no desporto, capaz de resultados brilhantes, com um saber enciclopédico, e dependente de marijuana (ou, como escreve o narrador, alguém que "adora apanhar pedradas em segredo, mas um segredo ainda maior é que gosta tanto do secretismo como de ficar pedrado"). Harold é filho de Avril Mondragon, mulher "extremamente alta e nervosa, mas também muitíssimo bonita, elegante, completamente abstémia", catedrática que em tempos teve contactos com elementos da esquerda separatista quebequense - uma personagem construída um pouco à imagem da mãe do próprio Wallace, implacável com as palavras e as regras da gramática -, e tornada Incandenza através do casamento com James O. Incandenza, fundador da academia, alcoólico, que no último período da sua vida dera cabo do património pessoal e familiar para se dedicar à produção de documentários, tendo acabado com a cabeça a explodir num micro-ondas aos 54 anos. Hal é irmão de Orion, um jogador de futebol americano, e de Mario, o mais novo da família, um pouco retardado. A este núcleo acrescente-se a figura de Don Gately, "um drogado em narcóticos orais (preferia Demerol a Talwin) e um ladrão trepador mais ou menos profissional", "expoente alegre e implacável da escola do não te irrites-vinga-te", que vai conquistando um protagonismo cada vez maior à medida que o livro avança, nunca se sabe bem para onde.

Esse é um dos segredos melhor geridos nesta narrativa nada linear. A cronologia é errante e obedece aos valores de uma sociedade que promove a evasão. Com a crise aberta pela morte do presidente Limbaugh, o calendário americano foi vendido à publicidade. Os anos são identificados pelas marcas que os compraram. O ANO DA ROUPA INTERIOR PARA ADULTOS DA MARCA DEPEND, ANO DE GLAD. E o que parece uma paródia é, afinal, uma crítica feroz ao modo como a sociedade sucumbiu ao poderio das marcas e aos meios que as veiculam para promover a tal evasão. Hal Incandenza e Don Gately, nas suas crises de identidade, nos seus vícios, não são mais do que produtos dessa busca incessante de fuga de si que tem no entretenimento - uma das palavras mais repetidas e trabalhadas de todo o livro - o grande objectivo. Não é por acaso que os terroristas separatistas a escolhem como a sua última arma: entreter As verdadeiras substâncias tóxicas são as recreativas. Podem ter nomes de séries, de medicamentos - e há aqui há uma verdadeira enciclopédia (Wallace domina, por experiência, a nomenclatura clínica) -, de estâncias de férias, de agregações. "A experiência americana parece sugerir que as pessoas carecem virtualmente de limites na sua necessidade de se entregarem a vários níveis", lê-se ainda o livro vai no adro. Uma centenas de páginas à frente, justamente na 900, Hal continua a tentar a evasão, "começa a percorrer mentalmente uma lista alfabética dos sítios bem longínquos onde preferia estar naquele momento". E o patético na fronteira do maior dos desesperos. "Ainda nem chegou a Adis Abeba quando Kevin Bain aquiesce e começa a pedir, muito baixinho e hesitantemente, ao homem da cara simpática, Jim, que entretanto já pousou o iogurte mas não o ursinho, para vir, por favor, amá-lo e abraçá-lo. E quando Hal se imagina a cair pelas cataratas do Niágara abaixo, na extremidade sudoeste da Concavidade, dentro de um velho e enferrujado bidão de transporte de lixo nocivo, já Kevin Bain pediu a Jim onze vezes, e cada vez mais alto, para vir acarinhá-lo e abraçá-lo, mas em vão. O tipo mais velho limita-se a ficar ali sentado, agarrado ao ursinho com o iogurte na ponta da língua, com uma expressão algures entre o simpático e o vazio." Parágrafo. "Hal nunca tinha visto uma pessoa a chorar como se estivesse a disparar projécteis."

Entre as lágrimas e o riso, Wallace gere de forma magistral vários registos de linguagem, do calão de rua à academia, gerando tensão mas também tédio capaz de levar ao bocejo com descrições científicas ou técnicas, alternando o detalhe mais comezinho do quotidiano com experiencias interiores extremadas como o suicídio. Tudo num embrulho cheio de referências literárias, científicas, desportivas - com o ténis em destaque -, sem perder o pé do real, mas de um real sempre muito autocentrado. Não há rótulos para isto. Chamam-lhe pós-pós-modernista, discípulo de Thomas Pynchon, louco, lunático: David Foster Wallace é herdeiro de muitos mas fez a sua síntese. Ele é isso tudo. Mas não é só isso. Conseguiu aquilo a que se propôs: inventar uma fórmula, desafiar a sua resistência e a do leitor. Nem todos estarão para isso, para entrar neste inferno que é a cabeça genial de Wallace. E se entrar não é fácil, mais difícil é sair. 

Já agora, a tradução: seria mesquinho apontar defeitos, mas há gralhas de revisão que se podem anotar numa errata. Um trabalho destes merece."

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publicado às 12:43


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