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Na Fnac do Colombo

por Quetzal, em 26.11.12

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publicado às 15:33


Um livro marcante

por Quetzal, em 26.11.12

"Em 2009, a Quetzal editou «2666», de Roberto Bolaño. Para muitos, um verdadeiro risco em termos editoriais, já que a obra tinha mais de 1000 páginas e o chileno era pouco conhecido em termos literários no nosso país. No entanto, a aposta foi bem-sucedida e a editora criou a denominada «Bolañomania» em Portugal, um «movimento» que aconteceu aliás um pouco por todo o Mundo. Em 2012 a editora corre um novo risco com outra obra com mais de 1000 páginas, considerada já pelos críticos como o lançamento do ano em Portugal, concretamente «A Piada Infinita», de David Foster Wallace, que, pela primeira vez, é traduzida para português. Agora é esperar para ver a reacção do leitor nacional perante um livro de culto no estramgeiro. O dever da editora está feito, o do leitor logo se vê…

Editar um livro com mais de 1000 páginas é sempre um desafio e Lúcia Pinho de Melo não esconde isso, revelando que a edição de «A Piada Infinita» foi «um acto de coragem e fé». Mas, sem falsas modéstias, a editora da Quetzal considera também que a publicação da obra de David Foster Wallace no nosso mercado «é o acontecimento do ano na ficção», ou seja, uma obra que deve ser descoberta pelo leitor português, para o bem ou para o mal, pois há opiniões divergentes sobre a genialidade de Foster Wallace, que suicidou-se em 2008, 12 anos depois do lançamento de «Infinite Jest», três anos depois de a revista Time incluí-lo na lista dos 100 melhores romances de língua inglesa desde 1923."

 

 

Aqui

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publicado às 12:37


A Piada Infinita na blogosfera

por Quetzal, em 22.11.12

Vamos aproveitar este blog para dar conta de algumas reações na blogosfera à publicação do livro de Foster Wallace. E há muita coisa. Desde o leitor que já comprou o livro:

 

http://panorama-c.blogspot.pt/2012/11/ja-mora-na-estante.html

 

ao leitor que aguarda que o livro lhe chegue às mãos:

 

http://fragmagens.wordpress.com/2012/11/19/resistir-a-leitura/

 

ao leitor que "esbarra" em informação e de que transcrevemos aqui uma parte do post:

 

http://tabernaventura.blogspot.pt/2012/11/percepcoes-e-realidade.html

 

“Vem esta entrada - provavelmente despropositada e incrivelmente falível ou falhada - a propósito da forma como tenho esbarrado, quase literalmente, em tudo o que é informação, em tudo o que são críticas e opiniões sobre o lançamento, em português do livro de David Foster Wallace, "A Piada Infinita", quer através de vários jornais que me chegaram por puro acaso e que não costumo comprar, quer seja por ter ido parar, de forma totalmente casuística e até arbitrária, a alguns blogs e sites.

Ainda para mais não há uma única opinião que tenha lido que não considere o autor e o livro geniais. Embora, em alguns casos, haja a assumpção e a honestidade de assumir que não terminaram o livro. O que não invalida que a percepção da genialidade esteja formada.

Desde sexta-feira que consumo informação sobre este tema. E a percepção que tenho é que a realidade atribuiu uma relevância enorme a este feito. Pergunto-me, nesta altura (uma das tais): 

terá sido esta a realidade ou simplesmente mais não foi que a minha percepção?”

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publicado às 16:43


A Piada Infinita na revista Time Out

por Quetzal, em 22.11.12

 

Vasco Telles de Menezes está habituado a ver os livros como material de trabalho mas daí a cortá-los ao meio para fazer melhor o seu ofício vai uma grande distância. Ou ia, porque foi isso mesmo que aconteceu com A Piada Infinita: “pela primeira vez cortei um livro para poder manuseá-lo melhor”, conta o tradutor de 34 anos, que pela primeira vez também teve de arranjar uma espécie de cavalete para pousar o exemplar original e garantir que, lado a lado com o ecrã do computador, não saltava nenhuma das muitas linhas escritas em letra minúscula. “Sempre que saía para trabalhar lá ia eu com o cavalete e o livro desconjuntado na mala de pôr a tiracolo.”

 

Durante seis meses, Vasco e o pai, o também tradutor Salvato Telles de Menezes, de 63 anos, não fizeram mais nada senão olhar para aquilo que muitos apontam como a grande obra-prima do norte-americano David Foster Wallace (1962-2008), uma comédia colossal passada num futuro próximo e que é ao mesmo tempo uma sátira ao mundo da publicidade e do entretenimento, um livro sobre as relações humanas e a felicidade ou ainda um tratado sobre a solidão contemporânea (entre tantas outras coisas). Vasco ficou com uma metade das 1200 páginas, o pai com a outra, um a trabalhar em Lisboa e o outro em Cascais – cinco páginas nos dias bons –, ambos a aproveitarem a proximidade familiar para as muitas reuniões que foram necessárias para que no fim não se notasse que o livro tinha sido vertido para português a quatro mãos. No fim, ambos afirmam sem rodeios: foi o livro mais difícil que já traduziram.

 

“É um livro gongórico, colossal”, diz Salvato Telles de Menezes, que não chegou a cortar o seu exemplar mas teve de trabalhar sempre com uma régua lupa. “Está cheio de referências, alusões, influências extraordinárias que o Foster Wallace organiza magistralmente, numa espécie de caos controlado. Na minha opinião”, continua o tradutor, que durante muitos anos foi professor de literatura norte- -americana, “não acho que o modelo de construção narrativa do livro seja o Ulisses, como já se tem dito. As referências estão lá, mas o verdadeiro modelo é o Moby Dick, que por alguma coisa se chamou de chowder, caldeirada”.

 

Nessa caldeirada não contam apenas as muitas linhas narrativas que se cruzam a dada altura em A Piada Infinita – e que pedem a paciência do leitor – mas também várias características que são verdadeiras dores de cabeça para um tradutor. “É um livro sobre a língua e para além de ter imensas personagens, cada uma tem a sua forma específica de falar”, diz Vasco. “Ele leva o inglês a um patamar superior.” Para além disso há muito calão, muitas siglas, “frases intercaladas que se prolongam por duas ou três páginas, estrangeirismos às vezes propositadamente mal escritos, jogos fonéticos e até neologismos que não estão identificados por itálicos ou qualquer coisa do género”. Como se não bastasse, acrescenta Vasco, “há ainda uma profusão de referências literárias, de baixa e alta cultura, e muitas referências cinéfilas. Dá a ideia de que ele leu tudo e verteu tudo para este romance-súmula”.

 

Algumas referências os tradutores identificaram – “as que nos pareciam menos óbvias ou mais ligadas à própria cultura americana”, diz Salvato –, outras não, até porque já havia 388 notas de rodapé. Sim, 388, e não umas notas de rodapé quaisquer. “Algumas são reparos, e até bastante jocosos, outras são mesmo a continuação da história e estão cheias de diálogos”, explica Vasco. “Aliás, costuma-se dizer que normalmente um tradutor fica contente quando há diálogos ou notas porque isso significa que se pode descansar um bocadinho, mas aqui nem isso acontecia.”

 

É descansar agora que o livro chega às livrarias, mesmo a tempo de assinalar os 25 anos da editora que o resolveu pôr cá fora.

 

Aqui.

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publicado às 15:20


Cinco estrelas para Foster Wallace

por Quetzal, em 22.11.12

 

A recensão completa ao livro A Piada Infinita, publicada na última edição do Ípsilon. A autora, Isabel Lucas, deu cinco estrelas ao romance colossal de David Foster Wallace (os destaques são nossos):

 

"Agora apetece o silêncio. Assim, a quente, não há palavra escrita que não pareça histriónica, redundante, medíocre. A Piada Infinita, no seu efeito imediato, fechada a última página, cala. A sensação de ferida aberta que perpassa todo o livro persiste. Em inglês a palavra é woundedness. Mais do que mágoa. Magoa. Na relação entre livro e leitor, cada nervo foi tocado e agora não resta nada a não ser o vazio do luto e uma experiência que mudou coisas. Leitor, está disposto a esta viagem de 1198 páginas?

Já avisámos: escrevemos a quente sobre um livro originalmente publicado em 1996, considerado umas das obras mais marcantes da literatura contemporânea norte-americana, escrito por um dos seus mais intrigantes e geniais autores, alguém que não suportou andar sempre à procura da resposta para a pergunta "o que é isto de ser humano?", e que aos 46 anos acabou com a vida, deixando ao lado um romance inédito, The Pale King, publicado no ano passado nos EUA, onde acabaria por vencer o Pulitzer.

A expectativa era alta. A leitora começara pelo fim, ou seja, pela obra publicada postumamente, e ia agora entrar em David Foster Wallace pela primeira vez em português, e logo com aquela que é considerada a sua peça de génio, "a" obra - A Piada Infinita, tradução do original The Infinite Jest, retirado de uma das falas do quinto acto de Hamlet: "I knew him, Horatio; a fellow of infinite jest, of most excellent fancy." Uma infindável paródia, alucinantemente incómoda e provocadora, sobre a sociedade norte-americana, situada num futuro não muito distante do momento em que Wallace a escrevera, aos 33 anos, após sete anos de uma travessia no deserto, com depressões, internamentos, excessos de droga, álcool, auto-medicação, incapacidade de lidar com muitas das responsabilidades pedidas a um adulto. David Foster Wallace refugiara-se, tanto quando pudera, no ensaio e na cátedra, mas eram insuficientes para quem queria inventar uma nova maneira de fazer literatura. Nada menos. 

Nessa realidade paralela ou virtual, A Piada Infinita começa pouco depois do assassínio do presidente Limbaugh. Os EUA fazem parte de uma confederação maior, a ONAN, com o Canadá e o México; parte da Nova Inglaterra é refúgio de um grupo de separatistas do Quebeque. É neste ambiente que encontramos Harold Incandenza, 18 anos, interno desde os sete na Academia de Ténis Enfield, em Massachussets - um sobredotado no desporto, capaz de resultados brilhantes, com um saber enciclopédico, e dependente de marijuana (ou, como escreve o narrador, alguém que "adora apanhar pedradas em segredo, mas um segredo ainda maior é que gosta tanto do secretismo como de ficar pedrado"). Harold é filho de Avril Mondragon, mulher "extremamente alta e nervosa, mas também muitíssimo bonita, elegante, completamente abstémia", catedrática que em tempos teve contactos com elementos da esquerda separatista quebequense - uma personagem construída um pouco à imagem da mãe do próprio Wallace, implacável com as palavras e as regras da gramática -, e tornada Incandenza através do casamento com James O. Incandenza, fundador da academia, alcoólico, que no último período da sua vida dera cabo do património pessoal e familiar para se dedicar à produção de documentários, tendo acabado com a cabeça a explodir num micro-ondas aos 54 anos. Hal é irmão de Orion, um jogador de futebol americano, e de Mario, o mais novo da família, um pouco retardado. A este núcleo acrescente-se a figura de Don Gately, "um drogado em narcóticos orais (preferia Demerol a Talwin) e um ladrão trepador mais ou menos profissional", "expoente alegre e implacável da escola do não te irrites-vinga-te", que vai conquistando um protagonismo cada vez maior à medida que o livro avança, nunca se sabe bem para onde.

Esse é um dos segredos melhor geridos nesta narrativa nada linear. A cronologia é errante e obedece aos valores de uma sociedade que promove a evasão. Com a crise aberta pela morte do presidente Limbaugh, o calendário americano foi vendido à publicidade. Os anos são identificados pelas marcas que os compraram. O ANO DA ROUPA INTERIOR PARA ADULTOS DA MARCA DEPEND, ANO DE GLAD. E o que parece uma paródia é, afinal, uma crítica feroz ao modo como a sociedade sucumbiu ao poderio das marcas e aos meios que as veiculam para promover a tal evasão. Hal Incandenza e Don Gately, nas suas crises de identidade, nos seus vícios, não são mais do que produtos dessa busca incessante de fuga de si que tem no entretenimento - uma das palavras mais repetidas e trabalhadas de todo o livro - o grande objectivo. Não é por acaso que os terroristas separatistas a escolhem como a sua última arma: entreter As verdadeiras substâncias tóxicas são as recreativas. Podem ter nomes de séries, de medicamentos - e há aqui há uma verdadeira enciclopédia (Wallace domina, por experiência, a nomenclatura clínica) -, de estâncias de férias, de agregações. "A experiência americana parece sugerir que as pessoas carecem virtualmente de limites na sua necessidade de se entregarem a vários níveis", lê-se ainda o livro vai no adro. Uma centenas de páginas à frente, justamente na 900, Hal continua a tentar a evasão, "começa a percorrer mentalmente uma lista alfabética dos sítios bem longínquos onde preferia estar naquele momento". E o patético na fronteira do maior dos desesperos. "Ainda nem chegou a Adis Abeba quando Kevin Bain aquiesce e começa a pedir, muito baixinho e hesitantemente, ao homem da cara simpática, Jim, que entretanto já pousou o iogurte mas não o ursinho, para vir, por favor, amá-lo e abraçá-lo. E quando Hal se imagina a cair pelas cataratas do Niágara abaixo, na extremidade sudoeste da Concavidade, dentro de um velho e enferrujado bidão de transporte de lixo nocivo, já Kevin Bain pediu a Jim onze vezes, e cada vez mais alto, para vir acarinhá-lo e abraçá-lo, mas em vão. O tipo mais velho limita-se a ficar ali sentado, agarrado ao ursinho com o iogurte na ponta da língua, com uma expressão algures entre o simpático e o vazio." Parágrafo. "Hal nunca tinha visto uma pessoa a chorar como se estivesse a disparar projécteis."

Entre as lágrimas e o riso, Wallace gere de forma magistral vários registos de linguagem, do calão de rua à academia, gerando tensão mas também tédio capaz de levar ao bocejo com descrições científicas ou técnicas, alternando o detalhe mais comezinho do quotidiano com experiencias interiores extremadas como o suicídio. Tudo num embrulho cheio de referências literárias, científicas, desportivas - com o ténis em destaque -, sem perder o pé do real, mas de um real sempre muito autocentrado. Não há rótulos para isto. Chamam-lhe pós-pós-modernista, discípulo de Thomas Pynchon, louco, lunático: David Foster Wallace é herdeiro de muitos mas fez a sua síntese. Ele é isso tudo. Mas não é só isso. Conseguiu aquilo a que se propôs: inventar uma fórmula, desafiar a sua resistência e a do leitor. Nem todos estarão para isso, para entrar neste inferno que é a cabeça genial de Wallace. E se entrar não é fácil, mais difícil é sair. 

Já agora, a tradução: seria mesquinho apontar defeitos, mas há gralhas de revisão que se podem anotar numa errata. Um trabalho destes merece."

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publicado às 12:43


Uma festa infinita

por Quetzal, em 22.11.12

Foi assim, na passada 6ª feira, no Ritz Clube (na 2ª imagem, Vasco Teles de Menezes e Salvato Telles de Menezes, tradutores de A Piada Infinita, Rui Catalão, que apresentou o livro, e Lúcia Pinho e Melo e Francisco José Viegas, editores da Quetzal)

 

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publicado às 12:26


Só para maratonistas da leitura

por Quetzal, em 20.11.12

"Foi por causa do humorista Nuno Markl que tentei ler “Infinite Jest”. Há já bastantes anos, numa entrevista, contou-me que apesar de um enorme esforço e dedicação não conseguira passar da página 100 de um livro extraordinário (de que eu nunca ouvira falar), mas que mesmo assim estava orgulhoso do feito. Não era graçola nem exagero – como vim a comprovar enquanto lia, relia e quase treslia as mesmas primeiras linhas, noite após noite, num exercício repetitivo de humildade."

 

Aqui

 

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publicado às 13:27


Escrever é divertido?

por Quetzal, em 20.11.12

Um texto fabuloso de David Foster Wallace sobre os dilemas da escrita, que pode ser lido aqui:

 

"This is the sort of parabolic straw you cling to as you struggle with the issue of fun, as a writer. In the beginning, when you first start out trying to write fiction, the whole endeavour's about fun. You don't expect anybody else to read it. You're writing almost wholly to get yourself off. To enable your own fantasies and deviant logics and to escape or transform parts of yourself you don't like. And it works – and it's terrific fun. Then, if you have good luck and people seem to like what you do, and you actually get to get paid for it, and get to see your stuff professionally typeset and bound and blurbed and reviewed and even (once) being read on the AM subway by a pretty girl you don't even know, it seems to make it even more fun. For a while. Then things start to get complicated and confusing, not to mention scary. Now you feel like you're writing for other people, or at least you hope so. You're no longer writing just to get yourself off, which – since any kind of masturbation is lonely and hollow – is probably good. But what replaces the onanistic motive? You've found you very much enjoy having your writing liked by people, and you find you're extremely keen to have people like the new stuff you're doing. The motive of pure personal fun starts to get supplanted by the motive of being liked, of having pretty people you don't know like you and admire you and think you're a good writer. Onanism gives way to attempted seduction, as a motive.

 

Now, attempted seduction is hard work, and its fun is offset by a terrible fear of rejection. Whatever "ego" means, your ego has now gotten into the game. Or maybe "vanity" is a better word. Because you notice that a good deal of your writing has now become basically showing off, trying to get people to think you're good. This is understandable. You have a great deal of yourself on the line, now, writing – your vanity is at stake. You discover a tricky thing about fiction writing: a certain amount of vanity is necessary to be able to do it at all, but any vanity above that certain amount is lethal. At this point 90+% of the stuff you're writing is motivated and informed by an overwhelming need to be liked. This results in shitty fiction. And the shitty work must get fed to the wastebasket, less because of any sort of artistic integrity than simply because shitty work will make you disliked. At this point in the evolution of writerly fun, the very thing that's always motivated you to write is now also what's motivating you to feed your writing to the wastebasket. This is a paradox and a kind of double bind, and it can keep you stuck inside yourself for months or even years, during which you wail and gnash and rue your bad luck and wonder bitterly where all the fun of the thing could have gone."

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publicado às 10:20


A cabeça genial de Foster Wallace

por Quetzal, em 16.11.12

“É de uma riqueza de tal ordem que é esmagadora. Não sei como é que as pessoas vão reagir à leitura, mas acho que devem estar preparadas. Tem uma dimensão trágica, épica, irónica, e depois tem sobretudo uma coisa que, para mim, é uma característica de sempre na literatura americana: os autores gostam das suas personagens.”

 

Salvato Telles de Menezes, um dos tradutores de A Piada Infinita, em declarações a Isabel Lucas, na edição de hoje do Ípsilon. Para o tradutor, ensaísta e ex-professor de literatura norte-americana na Faculdade de Letras de Lisboa este foi o mais difícil dos livros que traduziu até hoje. “É um caso muito sério”, diz. Na crítica ao livro lê-se: “Entre as lágrimas e o riso, Wallace gere de forma magistral vários registos de linguagem, do calão de rua à academia, gerando tensão mas também tédio capaz de levar ao bocejo com descrições científicas ou técnicas, alternando o detalhe mais comezinho do quotidiano com experiências interiores extremadas como o suicídio. Tudo num embrulho cheio de referências literárias, científicas, desportivas – com o ténis em destaque –, sem perder o pé do real, mas de um real sempre muito autocentrado. Não há rótulos para isto. Chamam-lhe pós-pós-modernista, discípulo de Thomas Pynchon, louco, lunático: David Foster Wallace é herdeiro de muitos mas fez a sua síntese. Ele é isso tudo. Mas não é só isso. Conseguiu aquilo a que se propôs: inventar uma fórmula, desafiar a sua resistência e a do leitor. Nem todos estarão para isso, para entrar neste inferno que é a cabeça genial de Wallace. E se entrar não é fácil, mais difícil é sair.”

 

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publicado às 16:07


Um feito extraordinário

por Quetzal, em 16.11.12

"A Piada Infinita, lançado em 1996, é um romance sobre depressão e várias outras desordens mentais e físicas, sobre família, consumos compulsivos, drogas, indústria do entretenimento, terrorismo e agências de segurança e mil outros subtemas explorados pelo autor com a minúcia de um pesquisador de nanopartículas. [...] Por tudo isto, A Piada Infinita é um desafio ao qual poucos leitores conseguem aceder por completo, mas um feito extraordinário, que ficará na história da literatura."

 

Filipa Melo, Sol

 

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publicado às 16:06

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